segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Ajudar a valorizar o trabalho

AJUDAR A VALORIZAR O TRABALHO Usando a terminologia dos 4 pilares da Educação, não é possível desvincular o aprender a aprender do aprender a fazer, nem estes do aprender a conviver e do aprender a ser. Todos estão interligados. O desenvolvimento pessoal passa por uma entrega generosa aos outros e, em primeiro lugar, por um trabalho bem desempenhado, que contribui ao bem de toda a sociedade. Deve acentuar-se a sua importância para o desenvolvimento de tantos valores humanos, em concreto a competência profissional, o sentido da família, o sentido cívico e as virtudes próprias da convivência, como a honestidade, a justiça, a sinceridade, a amabilidade, etc. Além disso, uma boa preparação profissional, é, sem dúvida, o caminho mais acessível a todos para contribuir ao bem da sociedade. Do trabalho depende, em grande parte, a felicidade da pessoa humana, e a rectidão e a paz da própria sociedade civil. É urgente que as novas gerações descubram o verdadeiro sentido do trabalho e aprendam a valorizá-lo, como o meio mais acessível de contribuir para o melhoramento da sociedade e para o progresso da humanidade. Numa sociedade constantemente solicitada pelo conforto, o ter de exigir-se para alcançar metas tem um valor altamente educativo. Vencer a preguiça forja a vontade, facilita o autodomínio. O esforço diário desenvolve a constância, dia após dia. Exercita e desenvolve capacidades: forja a personalidade.

terça-feira, 7 de setembro de 2010

Entender o trabalho como serviço

Faz parte da educação para a solidariedade entender o trabalho como serviço: renovar o esforço por trabalhar bem, não como ocasião de auto-afirmação, mas para viver melhor a solidariedade para com a pessoa humana. O forte egocentrismo que se introduziu na sociedade tende a ter como meta o êxito e a competitividade por motivos egoístas. É necessário fomentar o desejo de ajuda mútua nas crianças e jovens em idade escolar, para que não se tornem insolidários, mas aprendam a dedicar tempo a ajudar os outros nas suas dificuldades. Para servir a pessoa e a comunidade é necessário servir, ou seja, trabalhar bem, com seriedade, ser uma pessoa competente, responsável, em quem se pode confiar. Todos os trabalhos, todas as profissões honestas, quaisquer que sejam, são serviço. Só não é serviço o trabalho de quem procura somente o proveito próprio. A rejeição do serviço coincide, na prática, com a exaltação do egoísmo, que é, realmente, a maior ameaça à realização da pessoa, que não se pode realizar plenamente senão por um dom sincero de si. Realizar o trabalho com espírito de serviço muda radicalmente a hierarquia dos valores sobre os quais tende a construir-se a sociedade. Desvalorizá-lo demonstra uma atitude pouco humana e pouco madura e ignora uma dimensão essencial da verdadeira solidariedade para com a pessoa humana.

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

LIBERDADE SEM VERDADE?

Nesta época de grandes transformações que atravessamos, toda a Educação - e também a Universidade - está em processo de renovação. Neste processo há que evitar o risco de diminuir o saber e sacrificar a profissionalidade docente a uma aprendizagem de tipo utilitário e pragmático. Porque o Professor é um mestre. Não deve transmitir o saber como se fosse um objecto de uso e consumo, mas estabelecer uma relação sapiencial que, mesmo quando não pode chegar ao encontro pessoal com cada um dos estudantes, não deve limitar-se a uma mera transmissão de noções; o mestre oferece um contributo decisivo à própria estruturação da personalidade, mesmo quando não se propõe fazê-lo; segundo a antiga imagem socrática, ajudando a descobrir e a pôr em prática as capacidades e os dons de cada um; não se limita à necessária aquisição de competências profissionais, mas enquadra-as numa sólida construção de vida. A Educação é força que ilumina o conhecimento, que liberta do servilismo e torna capaz de fazer o bem. As jovens gerações esperam dos seus mestres novas sínteses do saber, não de tipo enciclopédico, mas humanista. Para tal, é fundamental superar a dispersão que desorienta e estimular o empenho da investigação e, ao mesmo tempo, ajudar a pôr o saber ao serviço do homem e não contra o homem. A liberdade de investigação não deve significar neutralidade indiferente perante a verdade. A busca da verdade deve estar unida à capacidade para perscrutar o sentido dos acontecimentos e para valorizar as descobertas mais audazes, sem as usar contra a pessoa e a contra a sua dignidade. A Universidade deve dar testemunho da dignidade da razão humana, das suas exigências e da sua capacidade de investigar e conhecer a realidade, superando o cepticismo, as reduções do racionalismo e do pensamento frágil. Deve superar a tentação de um saber que cede ao pragmatismo ou que se dispersa nos veios da erudição, tornando-se incapaz de dar sentido à vida; deve abrir-se ao nexo lógico entre a liberdade da investigação e o conhecimento da verdade, sem ceder ao clima relativista que insidia a cultura actual e leva a abandonar-se à volubilidade das opiniões e à prepotência dos mais fortes, mesmo quando esta se traduz no voto da maioria. Uma Universidade que perde o seu perfil de procura e de paixão pela verdade, que se desinteressa da sua função educativa e do futuro do homem deixa de merecer esse nome. Porque uma cultura que ignora a verdade torna-se um perigo para a liberdade. Se a Universidade abre as portas ao conhecimento da realidade, abre também as portas à esperança, tão necessária na cultura actual, profundamente impregnada de pessimismo.

domingo, 4 de julho de 2010

Uma sociedade à medida da família?
Recordo com frequência um professor que tive, Rafael Alvira. Referia-se à família como âmbito de personalização e de socialização. Ao ser a família o berço da vida na qual o homem nasce e cresce, considerava-a, não só como a primeira e principal escola educativa, mas o modelo e paradigma de todo o tipo de sociedade. Defendia que um dos elementos mais importantes da família é o amor, na sua dupla relação: amar e ser amado; é difícil amar se não se tem a experiência de ser amado. E só na família a pessoa é querida pelo que é, de modo incondicional. Como consequência, a família é o campo de cultivo da confiança e da liberdade responsável.Pretendia uma sociedade à medida da família, como a melhor garantia contra o individualismo ou o colectivismo, porque nela a pessoa está sempre no centro da atenção: nunca é vista ou tratada como um meio. Afirmava, convicto, que qualquer outra sociedade pode encontrar nela o seu modelo. Como só a família personaliza, o espírito familiar deveria estar de algum modo presente nas outras sociedades, para que também estas fossem capazes de o fazer. Para voltar a personalizar a sociedade, a solução deveria passar pela família como estrutura de personalização. Foi uma perspectiva inovadora, sobre a qual tenho reflectido com frequência.Na nossa época, os sucessos da ciência e da técnica permitem alcançar, num grau até agora desconhecido, um bem-estar material que, favorece uns, mas conduz outros à marginalização. A sociedade actual, inspirada na mentalidade de consumo e organizada sobre critérios de eficiência e de produtividade, cada vez mais individualista, torna especialmente necessária uma nova sensibilidade pelo homem em todas as circunstâncias. Face a uma sociedade que corre o perigo de ser cada vez mais despersonalizada e tantas vezes desumana, na família reside a capacidade de tirar a pessoa do anonimato, de a manter consciente da sua dignidade e dessa forma a inserir eficazmente no tecido social.
Labels: Educação, Família

sábado, 3 de julho de 2010

DESAFIO EDUCATIVO

O DESAFIO EDUCATIVO NO SÉCULO XXI No mundo em que vivemos, os focos de tensão social geradores de instabilidade e de agressividade - a injustiça, o desprezo do homem e da sua dignidade, o egoísmo, o medo, os actos de violência, os conflitos - multiplicam-se; é na educação - em primeiro lugar na família e depois na escola - que se preparam as futuras gerações para os problemas da convivência humana, que se desperta a consciência da dignidade da pessoa, se convida ao diálogo, à compreensão recíproca, a uma nova solidariedade mundial que permita enfrentar e resolver os enormes e dramáticos problemas da justiça no mundo, da liberdade dos povos, da paz da humanidade. A educação é forja de humanismo e de cidadania: uma cidadania entendida no seu sentido mais abrangente, como âmbito de transmissão de valores e de atitudes, unidos ao exercício da liberdade e da responsabilidade. Ao realizar a sua missão educativa, escola, família e comunidade estão a contribuir decididamente para informar a vida das futuras gerações, para ajudar a viver como pessoas, e pessoas integradas na comunidade social.

segunda-feira, 28 de junho de 2010

Sobre um uso seguro das TIC

Para promover uma utilização responsável e segura das novas tecnologias de informação e comunicação Conheça um projecto que ajuda famílias, escolas e comunidades a promover a utilização ética, responsável e segura das novas tecnologias de informação e comunicação por crianças e jovens. Através do site MiudosSegurosNa.Net, aceda a mais de 100 artigos sobre este tema, a partir de http://www.MiudosSegurosNa.Net

domingo, 27 de junho de 2010

Fecho de mais escolas com menos de 20 alunos?

O secretário de Estado da Educação afirmou no mês passado, que o Governo está a identificar com as autarquias as escolas do 1.º ciclo que poderão encerrar, justificando que os estabelecimentos com menos de 20 crianças não apresentam as melhores condições, numa resposta solicitada pela agência Lusa depois de o presidente da Associação Nacional de Municípios Portugueses (ANMP), Fernando Ruas, ter dado conta de conversações com o Governo sobre encerramento de escolas com menos de 20 alunos. O governante, João Mata, salientou que o Ministério da Educação prossegue, "em estreita articulação com as autarquias", o "esforço de requalificação, reorganização e modernização da rede de escolas do 1.º ciclo, iniciado em 2005" e que resultou no encerramento de cerca de 2500 escolas de pequena dimensão. O secretário de Estado lembrou que está em curso a concentração de alunos em centros escolares "dotados de melhores condições", com refeitório, biblioteca, salas de informática, espaços para ensino de inglês, música e prática desportiva, que segundo defendeu, "promovam uma efectiva igualdade de oportunidades". As escolas com menos de 20 alunos, justificou, "são na sua esmagadora maioria escolas de sala única com um professor e os alunos distribuídos pelos quatro anos de escolaridade. O professor ensina ao mesmo tempo e na mesma sala alunos do 1.º ao 4.º anos". João Mata acrescentou que os alunos destas escolas estão desde 2005 a ser transferidos para centros escolares construídos de raiz, estando concluídos ou em fase de obra cerca de 600 estabelecimentos. "Trata-se de identificar no terreno, com todos os parceiros educativos locais e perante as condições concretas de cada concelho, quais as escolas a suspender e quais as que terão melhores condições para acolher estes alunos", garantiu. O presidente da ANMP defendeu que as escolas com menos de 20 alunos só podem encerrar se as respectivas autarquias concordarem, uma posição que já transmitiu à ministra da Educação, Isabel Alçada. O autarca de Viseu contou aos jornalistas ter falado na quarta-feira com a ministra, a quem disse que a ANMP mantém a posição que há muito defende: "as escolas encerrariam se o município estivesse de acordo".

quarta-feira, 2 de junho de 2010

Os quatro pilares da Educação para o sec XXI

OS QUATRO PILARES DA EDUCAÇÃO No Relatório para a UNESCO da Comissão Internacional sobre Educação para o século XXI (relatório Jacques Delors) apontaram-se 4 pilares da Educação, entendida como uma tarefa global a realizar ao longo da vida; estes pilares são: aprender a conhecer, aprender a fazer, aprender a viver juntos, aprender a ser. Aprender a conhecer, combinando uma cultura geral, suficientemente vasta, com a possibilidade de trabalhar em profundidade um pequeno número de matérias. Significa aprender a aprender, exercitando a atenção, a memória e o pensamento, para beneficiar das oportunidades oferecidas pela educação ao longo da vida. Aprender a fazer, a fim de adquirir uma qualificação profissional, que graças ao desenvolvimento do ensino alternado com o trabalho, prepare para o exercício profissional, e de um modo mais amplo, desenvolva as competências que tornem a pessoa apta a enfrentar numerosas situações – também no âmbito diversas experiências sociais - e a trabalhar em equipa. Aprender a viver juntos, aperfeiçoando a compreensão do outro e a percepção das interdependências, realizando projectos comuns e preparando-se para gerir conflitos, no respeito pelos valores do pluralismo, da compreensão mútua e da paz.
Aprender a ser, para melhor desenvolver a própria personalidade, em todas as suas dimensões, e estar à altura de agir cada vez com maior capacidade de autonomia, de discernimento e de responsabilidade pessoal.O aprender a ser implica cultivar todas as potencialidades de cada pessoa. Abarca as dimensões essenciais da pessoa, em toda a sua riqueza e na complexidade das suas expressões e dos seus compromissos. Refere-se ao desenvolvimento global: corpo e mente, inteligência, sensibilidade, sentido ético e estético, responsabilidade individual, espiritualidade. É especialmente nestes últimos âmbitos - aprender a viver juntos e aprender a ser - que a família tem um papel insubstituível, embora todos os pilares da educação devam estar também na mira das instituições educativas: todos os que intervêm na tarefa educativa devem actuar conjuntamente.

terça-feira, 1 de junho de 2010

Aprender a ser: um dos 4 pilares da Educação

APRENDER A SER: um dos quatro pilares da Educação Aprender a ser é um pilares apontados para a Educação no século XXI, juntamente com o Aprender a conhecer, o Aprender a fazer e o Aprender a viver juntos.
O aprender a ser implica cultivar todas as potencialidades de cada pessoa. Abarca as dimensões essenciais da pessoa, em toda a sua riqueza e na complexidade das suas expressões e dos seus compromissos. Refere-se ao desenvolvimento global: corpo e mente, inteligência, sensibilidade, sentido ético e estético, responsabilidade individual, espiritualidade. É especialmente nestes últimos âmbitos - aprender a viver juntos e aprender a ser - que a família tem um papel insubstituível, embora todos os pilares da educação devam estar também na mira das instituições educativas: todos os que intervêm na tarefa educativa devem actuar conjuntamente. A sociedade global corre o perigo cada vez maior da despersonalização e da massificação, de se tornar uma sociedade desumana e desumanizadora, com os resultados negativos de tantas formas de ‘evasão’, como são, por exemplo, o alcoolismo, a droga e o próprio terrorismo. Por isso, o desafio educacional, quase tão antigo como a própria humanidade, revela-se, no entanto, da máxima actualidade e regressa com um vigor inesperado nestes inícios do 3º milénio: é como se até agora não tivesse sido ainda suficientemente resolvido e tenha que ser proposto de novo! Salta à vista que é uma tarefa árdua em tempos difíceis. O desânimo, o cansaço, a desilusão parecem espreitar uma grande parte dos nossos contemporâneos. Mas não devemos deixar que nos domine a desconfiança, o desprezo do homem e da sua dignidade, a injustiça, o egoísmo, o medo e o terror na vivência comunitária. O grande desafio educativo dirige-se a formar homens e mulheres íntegros capazes de enfrentar com espírito aberto as situações que a vida lhes depare, de servir os seus concidadãos e de contribuir para a solução dos grandes problemas da humanidade.

Família, Escola e sucesso escolar

Sucesso dos alunos depende muito da relação da escola com os Pais: foi a conclusão de um projecto realizado há alguns anos em Portugal (concluído no ano 2000) e noticiado na altura no Jornal Público. A grande maioria dos professores que participaram, confirmaram que o envolvimento das famílias melhorou o desempenho escolar. Escola, família, comunidade são três parceiros que, se trabalharem em conjunto, podem contribuir para o sucesso dos alunos. A ideia foi promovida pelo Departamento de Avaliação, Prospectiva e Planeamento (DAPP) do Ministério da Educação, durante dois anos lectivos. O relatório que faz o balanço de uma experiência levada a cabo em 19 estabelecimentos de ensino concluiu que quando os pais participam mais nas atividades da escola e esta, por sua vez, se articula com outros parceiros da comunidade onde está inserida, os estudantes conseguem melhores resultados, não só escolares como a nível comportamental. Uma equipa desafiou algumas escolas, bem como os pais dos alunos, a identificarem o seu principal problema. A partir daí elaborou-se uma estratégia onde todos teriam um papel. Professores e, nalguns casos, encarregados de educação receberam formação especial; organizações culturais e outras estruturas foram convidadas a manter uma ligação estreita com os estabelecimentos de ensino envolvidos - promovendo, por exemplo, visitas de estudo frequentes. Dois anos depois de o projeto ter começado, foi perguntado aos professores se este tinha proporcionado alterações "substanciais" no progresso escolar dos alunos - 84 por cento dos docentes respondem que sim. Opinião semelhante tem a quase totalidade (91 por cento) dos alunos inquiridos. Entre os estudantes que contaram com a ajuda dos encarregados de educação (seja nos trabalhos para casa, idas à biblioteca, etc.) quase metade (45 por cento) tiveram melhor desempenho na escola; apenas dez por cento dos alunos que têm este tipo de atividades com a família diz ter se beneficiado pouco. O estudo analisou ainda o desempenho em Matemática e Língua Portuguesa dos alunos do 4º ano, comparando-o com uma amostra nacional de 4392 estudantes. Resultado: os alunos envolvidos no projeto Escola, Família, Comunidade têm resultados ligeiramente superiores aos da amostra. O estudo conclui que estes resultados são "evidentemente, influenciados pelo ambiente familiar" que o projeto proporcionou. Mais: o ambiente familiar não tem relação directa com o nível socioeconómico da família, já que se verificou que mais de metade dos alunos são provenientes de lares de "nível bastante baixo". "É possível afirmar que os pais, independentemente do seu nível de instrução, são capazes de cooperar com a escola desde que devidamente acompanhados e estimulados, contribuindo para a melhoria da aprendizagem dos filhos", diz o relatório. O que este projeto pretendia não era que os pais se envolvessem apenas no processo de ensino/aprendizagem, ajudando os filhos fora da escola, mas que interviessem na vida escolar. Assim, verificou-se que as famílias passaram a contactar mais os professores e vice-versa. Num dos estabelecimentos de ensino foi constituída uma "escola de pais", onde os temas abordados foram trabalhados não só por professores, como também por instituições comunitárias; noutro caso, o número de pais e avós que passaram a freqüentar o ensino recorrente aumentou; numa outra escola foram feitas visitas domiciliárias às casas dos estudantes, que "foram verdadeiras ações de educação social". Os pais foram ainda convidados a animar e participar em eventos que até então eram promovidos só pela escola.