terça-feira, 30 de setembro de 2008

Compromisso da Ciência para o Desenvolvimento Global

"Compromisso da Ciência para o desenvolvimento global" é o tema de um Seminário Internacional que está a decorrer, e que contou com a presença do Ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, José Mariano Gago. Começou no dia 29 de Setembro, às 9h30, no Centro Científico e Cultural de Macau, em Lisboa na Rua da Junqueira, nº30.
O Seminário é uma iniciativa do Instituto de Investigação Científica Tropical (IICT) em colaboração com o Conselho Internacional de Investigação Agrícola (CGIAR), a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (EMBRAPA), e a Universidade das Nações Unidas, com o apoio do Banco Mundial. Participam ainda no Comité de Orientação da reunião os Laboratórios de Estado portugueses LNEC , LNEG e INRB. Na sessão de abertura intervêm, além do presidente do IICT, o Director do CGIAR, Ren Wang, e o representante da Universidade das Nações Unidas, J.P.Contzen.
O Seminário visa reforçar a coordenação e cooperação internacionais em Ciência para o Desenvolvimento, e reforçar o papel da Ciência e Tecnologia para atingir os Objectivos de Desenvolvimento do Milénio.

terça-feira, 23 de setembro de 2008

"Governo em peso nas cerimónias de entrega dos primeiros Magalhães a crianças do 1º ciclo": este é o título da notícia do jornal Público; segundo este diário, o primeiro-ministro e onze elementos do Governo entregam hoje os primeiros três mil computadores portáteis "Magalhães" a crianças do primeiro ciclo, no âmbito de um programa que será totalmente financiado por privados. Em declarações à agência Lusa, Maria de Lurdes Rodrigues declarou que os impressos que os encarregados de educação de alunos do primeiro ciclo devem preencher para ter direito a um computador estarão disponíveis nas escolas ainda esta semana. "A escola organiza o registo dos pedidos turma a turma e agenda com os operadores a entrega dos computadores. Daremos prioridade às escolas onde a banda larga já existe em todas as salas de aula", afirmou. O acesso à Internet a partir de casa é também uma das prioridades do Governo, adiantou a ministra da Educação, acrescentando que várias autarquias já mostraram disponibilidade para "ajudar as famílias, sobretudo de baixos rendimentos", a suportar essa ligação. No total, serão entregues este ano lectivo 500 mil exemplares do Magalhães, que terão um custo máximo de 50 euros, sendo gratuitos para os alunos que beneficiam do primeiro escalão da Acção Social Escolar. Como sempre que vejo estes anúncios, e esta mobilização do governo a entregar computadores nas escolas, apetece-me perguntar se os computadores são o mais importante na educação e no país?! ! Até parece!

Diversidade cultural da Europa ao alcance de todos?

Adivinha quem pintou estas botas? Pode saber muito sobre elas dentro de momentos, através da Europeana. Como? Perguntará o leitor. É o que passamos a explicar. Europeana é uma biblioteca digital que porá ao seu alcance um amplo património da diversidade cultural da Europa em termos de livros, música, pintura, fotografia e cinema aberta a todos. Com um clique de rato através de um portal: o sonho de uma biblioteca digital europeia poderá tornar-se realidade no próximo Outono, segundo a Comissão. A digitalização de obras culturais oferecerá acesso ao conteúdo de museus, bibliotecas e arquivos no estrangeiro sem terem de se deslocar ou folhear milhares de páginas para obterem uma informação. As bibliotecas da Europa contêm mais de 2,5 mil milhões de livros, mas apenas cerca de 1% do material de arquivo está digitalizado. A Comissão está a tentar que os Estados-Membros disponibilizem na internet as obras digitalizadas, proporcionando assim a sua consulta, para estudo, trabalho ou lazer. Nesse sentido, contribuirá com cerca de 120 milhões de euros em 2009-2010, para melhorar o acesso directo ao património cultural da Europa. "A Biblioteca Digital Europeia será uma forma rápida e fácil de aceder a livros e à arte da Europa – quer no país de origem quer no estrangeiro. Permitirá, por exemplo, a um estudante checo consultar a Biblioteca Britânica sem ter de ir a Londres, ou a um amador de arte irlandês aproximar-se da Mona Lisa sem ter de fazer bicha no Louvre," afirmou Viviane Reding, Comissária da UE responsável pela Sociedade da Informação e Média. "No entanto, muito embora os Estados-Membros tenham dado grandes passos no sentido de tornar a cultura acessível através da Internet, são necessários mais investimentos públicos e privados para acelerar a digitalização. O meu objectivo é dispormos de uma Biblioteca Digital Europeia, chamada Europeana e de conteúdo enriquecedor, aberta ao público antes do final do ano". Em 2009-2010, 69 milhões de euros do Programa de investigação da UE serão destinados a actividades de digitalização e à criação de bibliotecas digitais. Durante o mesmo período, o Programa de competitividade e inovação atribuirá cerca de 50 milhões de euros ao aperfeiçoamento do acesso ao património cultural europeu. Para conseguir o objectivo proposto, torna-se necessário que os países atribuam um maior financiamento à digitalização e estudos sobre o material a digitalizar, para o legar às gerações futuras. - Há ainda que implementar normas comuns que tornem as diferentes fontes de informação e bases de dados compatíveis para utilização pela Biblioteca Digital Europeia (Europeana). - Resolver questões respeitantes aos direitos de autor. Os utentes das bibliotecas digitais podem descobrir digitalmente exemplares da famosa Bíblia de Gutenberg (o primeiro livro efectivamente impresso) no sítio Web da Biblioteca Britânica, as vozes de Maria Callas ou Jacques Brel no Institut National de l'Audiovisuel, ou a obra-prima de Da Vinci, Mona Lisa, no Louvre – sem pagar bilhete. Alguns países europeus estão já a acelerar a digitalização de colecções culturais: a Eslovénia, a Eslováquia, Finlândia e a Lituânia utilizaram Fundos Estruturais Europeus para obter financiamentos adicionais para a digitalização. De todo o material digitalizado na Europa, apenas uma parte ínfima está disponibilizada na internet. Convidamo-lo a ver como será o site da Europeana, ainda em construção: http://www.europeana.eu/

segunda-feira, 22 de setembro de 2008

Apoio ao alargamento da rede de Educação Pré-Escolar

Termina dentro de poucos dias - no dia 30 de Setembro - a fase de candidatura ao Programa de Apoio ao Alargamento da Rede de Educação Pré-Escolar, especialmente nos concelhos que apresentem uma taxa de cobertura inferior à média nacional. Este programa destina-se a apoiar iniciativas de alargamento e de requalificação do parque de educação pré-escolar apresentadas por municípios e por instituições particulares de solidariedade social (IPSS) ou equiparadas. O programa de apoio inclui as seguintes despesas: obras de construção de raiz, de ampliação ou de adaptação de instalações que visem a criação de novas salas de educação pré-escolar; arranjos exteriores envolventes dentro da área do estabelecimento de educação pré-escolar; mobiliário escolar, material didáctico e equipamento informático, para as novas salas de educação pré-escolar. O apoio a conceder será um subsídio não reembolsável de 50 % sobre o valor das despesas. A parte não co-financiada é suportada pelos municípios ou pelas IPSS, que poderão aceder a uma linha de crédito de juro bonificado criada para esse fim. Para efeitos de financiamento das despesas consideradas elegíveis, os valores máximos de referência são os seguintes: para construção de raiz de novas salas ou ampliação de instalações existentes - 100 000 euros por cada sala de actividades; para arranjos exteriores dentro do recinto escolar - 20 % do custo total financiado para a construção de raiz e 10 % do custo total financiado para a ampliação de instalações. Para a aquisição de material didáctico e informático - 7600 euros por cada sala. O edital lançado abrange os concelhos pertencentes à área metropolitana de Lisboa. As candidaturas deverão ser submetidas ao Gabinete de Estatística e Planeamento da Educação (GEPE), entre 25 de Julho e 30 de Setembro, através do endereço www.pre-escolar.min-edu.pt. O processo de apreciação e de selecção das candidaturas decorre em duas fases. Na 1ª, de pré-selecção das candidaturas, serão tidos em conta factores como a taxa de cobertura de educação pré-escolar e a população em idade de frequência deste nível de educação. Na 2ª, as candidaturas pré-seleccionadas deverão apresentar ao GEPE, no prazo de oito dias, a proposta de intervenção, a quantificação dos custos previstos e a identificação dos prazos, entre outros elementos. Os resultados da primeira e da segunda fase de selecção serão comunicados às entidades concorrentes e publicitados nos portais do ME (www.min-edu.pt) e do MTSS (www.seg-social.pt), respectivamente, no prazo de 15 dias. O prazo para a execução das obras é de 18 meses, a partir da aprovação da candidatura. Esta medida visa o alargamento da rede de educação pré-escolar especialmente na periferia dos grandes centros urbanos.

Nova rede de escolas

Foram aprovados 606 projectos respeitantes à construção de novos equipamentos escolares (388) e de reabilitação de escolas já existentes (218). Os centros escolares, englobando obrigatoriamente pré-escolar e primeiro ciclo, vão dar origem, no pré-escolar, a 1528 salas de aula e 36 mil alunos. No que respeita ao primeiro ciclo serão abrangidas 4534 salas de aula e 102 mil alunos.
Estes projectos beneficiam de recursos financeiros disponibilizados pelo QREN 2007-2013. São resultado do Programa Nacional de Requalificação da Rede do 1.º Ciclo do Ensino Básico e da Educação Pré-escolar, e visam garantir a igualdade de oportunidade de acesso a espaços educativos, segundo o Ministério da Educação. A reorganização da rede de escolas resulta de um trabalho conjunto com as autarquias, identificando a situação no terreno para a recuperação ou construção de estabelecimentos de ensino.
A criação dos centros escolares visa compensar o encerramento de milhares de escolas por todo o país que se tem verificado nos últimos anos. A lógica dos centros escolares é, nas zonas rurais, a construção de raíz ou requalificação de escolas de 1.º ciclo em áreas centrais que venham a integrar os alunos de escolas pequenas. Nas zonas urbanas, os objectivos vão mais no sentido de descongestionar escolas com muita lotação e aproveitar melhor os recursos. Bibliotecas, recintos desportivos, centros de formação abertos a toda a comunidade são alguns dos equipamentos que se pretende que os centros escolares tenham para oferecer.

domingo, 21 de setembro de 2008

Organização do ano lectivo e avaliação

O Ministério da Educação publicou uma série de alterações às regras de organização do ano lectivo 2008/2009, no sentido de definir as condições para que os professores avaliadores procedam à avaliação dos outros docentes. Cada avaliador tem uma hora semanal para avaliação de quatro docentes. No caso dos docentes a avaliar serem muitos, reduz-se a componente lectiva do docente. Relativamente aos docentes da educação pré-escolar e do 1.º ciclo do ensino básico, sempre que o número de horas da componente não lectiva de estabelecimento do avaliador fique esgotado pelo número de docentes a avaliar, observa-se o seguinte: sempre que o docente avaliador tenha mais do que sete docentes a avaliar, pode optar por ficar sem grupo ou turma atribuída. Nestas circunstâncias, só se o número de professores a avaliar for superior a 21 é que o docente avaliador pode delegar as suas competências de avaliador noutro professor titular do departamento. Nos casos de delegação de competências de avaliador num professor titular do quadro do agrupamento ou da escola ou num professor nomeado em comissão de serviço, só um dos delegados deve ficar sem grupo ou turma atribuída. Os professores que, de acordo com estas condições, fiquem sem grupo ou turma exercem as horas correspondentes à componente lectiva não utilizada nas funções de avaliação de desempenho, na coordenação das actividades da componente de apoio à família da educação pré-escolar e no apoio educativo e apoio ao estudo aos alunos do 1.º ciclo. Aos docentes destes níveis de educação e de ensino que exerçam as funções de avaliador e tenham grupo ou turma atribuído não devem ser distribuídas actividades de apoio ao estudo. O apoio educativo aos alunos dos 2.º e 3.º ciclos do ensino básico e do secundário deve ser prestado, sempre que possível, pelo professor da respectiva disciplina ou área disciplinar.
Para apoio educativo aos alunos do 1.º ciclo, os agrupamentos podem dispor de um crédito de horas lectivas semanal. Estas horas são atribuídas aos professores existentes na escola sem turma atribuída ou com horários com insuficiência de tempos lectivos ou que exercem as funções de avaliação de outros docentes e não tenham turma atribuída. Se a componente lectiva dos docentes do agrupamento estiver preenchida e existirem horas disponíveis no crédito de escola, pode proceder-se à contratação de outros professores para apoio educativo. Quanto à componente não lectiva de trabalho individual Na determinação do número de horas destinado a trabalho individual e à participação em reuniões deve ser tido em conta o número de alunos, de turmas e de níveis atribuídos ao professor, não podendo ser inferior a 8 horas para os docentes da educação pré-escolar e do 1.º ciclo, e para os outros ciclos do ensino básico e ensino secundário 10 horas para os professores com menos de 100 alunos e 11 horas para os docentes com 100 ou mais alunos.

sexta-feira, 19 de setembro de 2008

Colocações no Ensino Superior

De acordo com dados do Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, mais de 44 mil estudantes foram colocados na primeira fase de acesso ao ensino superior. Segundo os resultados do concurso, foram colocados 44 336 alunos, mais 6% do que no ano passado, com o aumento das colocações a fazer-se sentir, sobretudo, no ensino politécnico.
O aumento registou-se igualmente no total de candidaturas, que cresceu 3%, assim como no número de vagas, que este ano foi também o maior da última década, com 50 219 lugares disponibilizados.
Por área de formação, os cursos em que se registou um maior aumento de lugares foram os de Ciências e Tecnologias (mais 635, o que os coloca na liderança com um total superior a 17 mil vagas) e os de Ciências Sociais, seguindo-se, a larga distância, os de Saúde e Protecção Social.
Já a queda no número de vagas registou-se sobretudo nas Humanidades (com menos 169), seguindo-se as Ciências Veterinárias e a Educação. No total, ficaram colocados nesta primeira fase 84% dos 53 062 candidatos, contra 81% de colocações registadas em 2007. Entre os colocados, 53% conseguiram ficar no curso e no estabelecimento de ensino que indicaram como primeira opção, enquanto cerca de um terço foram colocados na segunda ou terceira opções.
Apesar da tendência de crescimento do ensino politécnico, já verificada nos anos anteriores, é para as universidades que continua a ir a maioria dos estudantes (quase 57%).
Para os 8726 alunos que não conseguiram entrar, resta a possibilidade de concorrer à segunda fase, que se realiza ao longo da próxima semana, com 5917 vagas ainda disponíveis.
Os resultados da primeira fase do concurso nacional de acesso ao ensino superior público foram afixados na segunda-feira, mas os dados estavam disponíveis domingo na Internet, no endereço http://acessoensinosuperior.pt.
Quase dois em cada três cursos das universidades e institutos politécnicos públicos ficaram com as vagas totalmente preenchidas na primeira fase do concurso de acesso. Dos 1068 cursos existentes, 699 esgotaram os lugares, entre eles todas as licenciaturas em Medicina e Arquitectura, duas das mais disputadas pelos estudantes, que ocuparam plenamente as 1489 e as 640 vagas que, respectivamente, tinham disponibilizado.
O curso de Medicina na Universidade do Porto foi o que registou a média mais elevada, com o último aluno colocado a apresentar uma média de 18,52 valores (numa escala de zero a 20).
A licenciatura em Direito na Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa mantém o máximo de colocações, com 510 novos alunos, seguida do curso também de Direito da Universidade de Coimbra, que registou 330 entradas.
A nota mínima de entrada nas licenciaturas de Medicina, habitualmente as mais disputadas, subiu ligeiramente em relação a 2007, apesar de ter aumentado o número de vagas disponíveis, segundo dados do Ministério do Ensino Superior.

Trabalho e Cultura: a transmissão da cultura ou a arte de Educar

O trabalho é chave essencial da vida social e cultural. Ao trabalhar uma matéria, conferindo-lhe uma forma nova, o trabalho é criador, produz cultura. Nesta perspectiva, materializar o espírito e espiritualizar a matéria é algo específico do homem, que pode ser chamado CULTURA (Yepes 1996) A matéria recebe uma forma que a espiritualiza e a eleva para além de si, revestindo-a de novos significados e valores.
Habitualmente, consideram-se no trabalho três finalidades ou sentidos essenciais. Um primeiro fim do trabalho é ser meio de subsistência. Outra finalidade do trabalho, é transformar o meio ambiente, melhorando as condições de vida (no entanto, o trabalho pode também danificar o mundo, em vez de o melhorar. Daí a necessidade ética de respeitar a Natureza). Por último, a pessoa, ao trabalhar, adquire novos hábitos, faz descobertas, melhora as suas capacidades, adquire experiência, conhecimentos, aptidões: aperfeiçoa-se a si própria. Ao realizar o trabalho empenhando nele todas as suas faculdades a pessoa aperfeiçoa-se e realiza-se; ama a sua obra, que se torna como um prolongamento do seu próprio ser: pode chegar à paixão por criar, ao amor no trabalho. E deixa de amar o trabalho quando este é só fadiga física, esforço, mercadoria entregue a troco de um salário, quando não consegue pôr nele nada de si, do seu saber fazer, da sua inteligência criadora, de modo que aquilo que produz seja algo verdadeiramente seu, que lhe permite alcançar a plenitude. Por isso trabalhar é um direito, porque é o canal do desenvolvimento e da criatividade humana. O homem necessita algo mais do que subsistir: necessita aperfeiçoar-se, aperfeiçoar o mundo e a sociedade, trabalhando. Entender que o trabalho é caminho de realização humana foi uma descoberta tardia. Na antiguidade e até à época moderna considerava-se que a realização e o aperfeiçoamento humano se realizavam precisamente fora do trabalho, no ócio, através de actividades culturais, morais, religiosas, etc. Progressivamente foi-se afirmando o valor do trabalho como aspecto central na realização da pessoa. Mediante o trabalho a pessoa converte-se num profissional, competente e preparado para realizar tarefas e obras que requerem conhecimentos científicos e técnicos, que qualquer outra pessoa não poderia fazer e que são necessárias à sociedade. O trabalho é o que distingue a pessoa e lhe confere o seu lugar na vida social: já não é o nascimento, ou a classe social, ou a raça, como aconteceu em épocas passadas. Nunca antes na história o trabalho teve um papel tão decisivo na vida humana (Yepes 1996). O trabalho passou a ser um dos principais modos de realizar os próprios ideais e valores, uma parte decisiva do próprio projecto vital. Simultaneamente, a nossa época exige a todo o trabalhador um verdadeiro profissionalismo: seriedade, nível técnico e eficácia no desempenho. O profissionalismo tem muito a ver com a ética: a ética exige, em primeiro lugar realizar bem o próprio trabalho. A perfeição intelectual e técnica que se adquire ao realizar um trabalho, faz da pessoa um bom profissional. Mas há também uma perfeição moral que se adquire – ou não – ao trabalhar. A perfeição moral é a que torna boa a pessoa enquanto pessoa. Pode-se ser bom profissionalmente sem ser bom enquanto pessoa, mas não o contrário: ser moralmente bom implica procurar ser bom profissionalmente. Tendo em conta este duplo aperfeiçoamento adquire pleno sentido a expressão "o homem realiza-se no trabalho", em que realizar-se significa a aquisição de hábitos positivos intelectuais e morais.
Originariamente o termo cultura aponta para a acção de cultivar mediante a qual o homem se ocupa de si mesmo, não ficando num puro estado natural. O homem culto é aquele que se "cultiva". Cultura é, numa primeira aproximação, cultivo da inteligência, educação. O termo cultivar denota atenção, cuidado, acompanhamento. Segundo afirma Yepes a primeira dimensão de cultura é a “interiorização e enriquecimento de cada sujeito”, mediante a aprendizagem. É o que designa o termo alemão “Bildung”, formação do homem. Cultura significa aprender e possuir o aprendido, ter sido educado, ter conhecimento, riqueza interior, mundo íntimo. Quanto mais rico é esse mundo, mais culto se é e mais coisas se tem para dizer. Segundo a perspectiva deste autor, a origem da cultura é o núcleo criativo, discursivo e afectivo da pessoa, a sua intimidade profunda, em que se guardam mediante a memória, conhecimentos apreendidos e factos vividos, uma sabedoria teórica e prática, que cresce para dentro, porque se cultiva e aprende, para, mais tarde, sair para fora. Frente à primazia da exterioridade, o espírito humano caracteriza-se por saber habitar dentro de si e criar um mundo interior que não é sonhado, mas sim vivido. Apenas nele se encontra a verdadeira felicidade e plenitude. É o lugar de encontro com a própria intimidade, santuário interior, poço profundo onde habitam os sentimentos mais poderosos, realidade criadora de que brotam ideias, projectos, imagens, mundos novos que acabarão por sair para o exterior. A pessoa humana ama a paz e o silêncio porque lhe permitem sonhar, imaginar, escutar a sua voz íntima, sentir o que tem dentro: saber ouvi-la é ter cultura. “A descoberta da interioridade e o seu cultivo são requisitos para uma verdadeira cultura” (Yepes 1996). Ter o espírito cultivado é saber ler as obras humanas e descobrir nelas uma riqueza desconhecida para o ignorante. O olhar de quem percebe muito de pintura ou história da arte “lê” mais e melhor um quadro de Rembrandt ou uma catedral gótica. A cultura está depositada em obras exteriores e o homem ao apreendê-la fá-la sua e compreende-a. Saber dizer bonitos discursos é expressão e reflexo de um espírito cultivado e de algo previamente apreendido. A cultura como interioridade é, pois, precedida pela aprendizagem, que é a incorporação da sabedoria depositada nas obras humanas. Sem elas não há cultura. Em certo sentido, cultura é toda a manifestação humana (Yepes 1996). A capacidade de manifestar é uma característica da pessoa e expressão exterior da sua interioridade. As acções mediante as quais a pessoa se expressa e se manifesta - acções expressivas - são também cultura. Por exemplo, saber falar, dar as boas vindas a quem chega, um aperto de mão, não fechar a porta na cara a uma pessoa, é também cultura, educação. A má educação é incultura, barbaridade, força bruta. O que define o homem como ser cultural é a capacidade de revestir o material de um significado ou intenção que procedem do mundo interior e que remetem ou ordenam a obra humana a algo distinto dela. Quando a matéria é enriquecida ou transformada pela pessoa, quando surge uma obra exterior que parece falar por si mesma, temos uma outra dimensão da cultura: as obras humanas - um livro, uma escultura, etc. - são expressões culturais. A capacidade humana de criar cultura plasma-se num conjunto de objectos modificados pelo homem com um significado que lhes confere uma função expressiva da interioridade humana. Esta função de expressar é comunicação: expressa-se algo para comunicar, que é um elemento básico da vida social. O conjunto dos objectos culturais ou obras humanas feitas com uma função simbólica é a cultura em sentido objectivo: o cultural remete para além de si próprio. O símbolo é um objecto que nos envia a outro. O carácter simbólico ou significativo das obras humanas é convencional, livre e modificável. A cultura é tão variada como a liberdade: cada povo, cada pessoa realiza as suas obras imprimindo nelas o selo do seu estilo, da sua personalidade, do seu tempo. A cultura é livre, e portanto, convencional, variável, histórica. Podem distinguir-se na cultura humana várias dimensões: "expressiva, comunicativa, produtiva, simbólica, histórica" (Yepes 1996). A expressão do espírito humano é cultura em estado vivo, plasmando-se, plena de um carácter criador, original. Todas as obras culturais levam dentro de si uma verdade que podemos chegar a compreender, com tempo e esforço, embora só parcialmente; parece predominar nelas uma beleza que se comunica, que nasce da verdade que expressam. Podem ser cultura, em sentido amplo, os gestos, a conduta, a linguagem falada, os costumes ou gestos repetidos tantas vezes que facilmente se convertem em rituais e nos quais se alicerça a vida humana. Continuando a nossa reflexão sobre a cultura e o trabalho, vamos considerar agora a profissão do Educador, ou o que Yepes designa como a Transmissão da Cultura ou a Arte de Educar (Yepes 1996). Segundo recorda este autor, o processo de socialização primária, da formação da personalidade humana, dá-se sobretudo e em primeiro lugar na família, instituição educativa por excelência. Aprender a ser pessoa consiste em aprender a dirigir-se a si mesmo e a conseguir a harmonia. Conduzir a própria vida é aprender a arte de viver. Educar é transmitir e ensinar, não somente conhecimentos teóricos, mas sobretudo modelos e valores que guiem o conhecimento prático e a acção; significa ajudar a adquirir convicções e ideais, ajudar a fazer um uso inteligente e responsável da própria liberdade. Educar é possibilitar o alcançar a excelência. Outra das funções da educação é comunicar a verdade, cultivar a paixão pela verdade. A verdade científica, por sua vez, está aliada à técnica, e o ensino de ambas possibilita adquirir uma profissão. Por sua vez, exercer uma profissão é uma das maneiras de se incorporar às instituições e às comunidades; e nelas se aprendem as tradições do passado, de modo a melhorar o futuro. Parte do ensinamento acerca do passado é a transmissão da cultura. Não há verdadeira educação sem transmissão de cultura, sem aprendizagem de gestos, palavras, acções simbólicas, costumes, obras de arte, livros, etc., de quem nos precedeu. A cultura, em todas as suas manifestações, é o depósito onde se encontra o sentido das próprias experiências, aspirações e capacidades. Educar é ajudar a cultivar o mundo interior mediante a assimilação da cultura, que humaniza o espírito. E a assimilação da cultura não se pode fazer individualmente: exige mestres. A educação, enquanto comunicação da excelência e transmissão da verdade, exige uma certa autoridade da parte de quem ensina. E formar-se como educador exige a aprender a ajudar. Educar é uma arte, na medida em que é um saber prático, não teórico: consiste em ensinar alguém a viver. Entrar dentro da intimidade de outro não se pode levar a cabo sem diálogo. A relação entre docente e discente – a educação - tende a ser uma dimensão pessoal e dialogada. Por isso, as pessoas dedicadas a esta árdua e desprestigiada profissão realizam grandes esforços para converter a técnica profissional em tarefa e ideal. Há uma unidade que entre a transmissão de conhecimentos e a dimensão prática e pessoal da educação. A educação não é só transmitir técnica, mas cultura e valores.

sábado, 13 de setembro de 2008

Segurança na internet

Segurança na Internet: Ferramentas Básicas Recomendo a leitura deste artigo de Tito de Morais. O autor refere sete categorias de ferramentas de segurança básica na Internet que devem estar instaladas em qualquer computador, e no seu artigo dá acesso a sites com estas ferramentas gratuitas, o que muito se agradece. Sugere que peça ajuda a um familiar para os instalar, caso não tenha muita experiência no assunto. Nesta primeira parte do artigo explica o que é uma Firewall, um dispositivo que protege o seu computador contra intrusões a partir da Internet e aconselha a escolha de uma de 10 Firewall's Gratuitas. Explica ainda o que são os Anti-Vírus e dá acesso a programas anti-vírus gratuitos: 7 Anti-Vírus Gratuitos, para instalar no computador e manter actualizado. Anti-Spyware "nome dado a pequenos programas "espiões" que por vezes se instalam e actuam de forma sub-reptícia num computador, sem que o utilizador dê pela sua presença e dá acesso a diversos programas gratuitos e de qualidade: 10 Anti-Spyware's Gratuitos. Só resta agradecer ao autor estas estupendas sugestões! Pode aceder a estes sites indicados no artigo através dos links aqui assinalados. Noutro artigo são referidas as restantes quatro ferramentas de segurança.